

Mentiras
Para dizer o que o outro deseja ouvir... Para alimentar uma fantasia da mente... Para fugir de situações... Para não magoar... Para ser aceito... Para não ser abandonado...
Sempre haverá um motivo. Razões secretas ou explícitas, mas quase sempre rotineiras. Cria-se um hábito; de tanto precisar desse refúgio fica como um “jeito de ser”. Quando chega a incomodar, já aconteceu... e nas próximas vezes assim continuará...
As palavras são pequenas; uma linguagem dentre tantas outras que possuímos. Apenas palavras diante da profundidade de um olhar, da expressão de um gesto ou de um corpo que “fala”. Palavras que nos tornam uma dicotomia ambulante; a própria cisão entre o que se é e o que se precisa aparentar..
Palavras enganosas tão pequenas que chegam a ser chamadas de “mentiras brancas... Assim como dizer a um amigo que não vai na festa dele porque está muito doente, quando tudo que deseja naquele dia, com toda a sua saúde, é ficar em casa descansando. Esse amigo nem tem o direito de conhecê-lo em sua essência e poder escolher se o quer assim mesmo.
Começar a ser verdadeiro em cada sim ou não que dissermos seria um treino constante, uma vigília atenta, mas um enorme passo para a libertação de condutas antiquadas que só nos afastam espiritualmente das pessoas. O uso da mentira em sua forma mais branda ou mais cruel é, antes de tudo, um disfarce emocional, pois não enfrentando uma situação difícil com clareza, registra-se internamente o fracasso que tende a se repetir.
Quando as palavras são verdadeiras, expressas sem culpas, sem medo de desagradar, imbuídas do poder doce que podem ter, com o tempo, com o hábito desse procedimento, só farão as pessoas confiarem mais em nós e certamente os que nos rodearem - tendo a permissão de assim também poderem agir - serão muito mais confiáveis, naturais, muito mais amigos.
É desde a mais tenra infância que se começa esse aprendizado. Podendo dizer sem medo o que sente, recebendo a acolhida necessária; vendo uma família verdadeira que também diz o que sente e faz o que diz; criando-se no núcleo familiar a condição de discutir abertamente os mais diversos assuntos, com respeito às diferentes opiniões, desde as opções religiosas ou políticas, até aquela propaganda enganosa da TV.
Existem fases iniciais do desenvolvimento em que a criança começa a explorar seu meio e brincar com o que é fantasia e realidade. Vive estimulada por seu pensamento mágico que além de natural é importante para suas experiências emocionais e até para ampliar a criatividade. É uma fase facilmente percebida e não muito difícil de lidar. Porém algumas pessoas sentem a necessidade de perpetuar esse “pensamento mágico” e vivem num mundo irreal que, em determinados momentos – dependendo de como os responsáveis vão agir – começam a causar muitos problemas.
A mentira engloba um processo de controle e sedução porque está carregada do que se permite ao outro saber ou ouvir. E em situações patológicas extremas podem caracterizar o Transtorno de Personalidade Antissocial (psicopatias, sociopatias...), que têm origem em importantes períodos de privação afetiva na infância. Dependendo da fase, as sequelas podem ser desastrosas para a personalidade. Crianças que ficam aterrorizadas com um abandono real, outras que são muito envergonhadas, ridicularizadas, ou ainda sofrem abuso físico ou emocional, assim como as que crescem acreditando que não têm valor, começam a estabelecer uma defesa, uma tentativa de autoproteção criando um mundo à parte da realidade onde o outro nem sempre importa, muito menos leis morais e éticas... Infelizmente isso não é raro.
Parece distante, mas na realidade somos cercados e influenciados por pessoas assim e a grande maioria delas não muda até porque não costuma buscar ajuda. Criam máscaras como tentativa de proteção, talvez a única possibilidade encontrada, mesmo inconscientemente.
Não podemos ter a ilusão de transformar os outros ou só ensinar com conselhos as nossas crianças, já que elas aprendem muito mais com as atitudes. Mais útil para todos será se começarmos o treino para uma reforma pessoal, abolindo pequenas ou grandes mentiras de nosso dia-a-dia, usando mais que as palavras; a transparência. E que possamos ser amados ou odiados pelo que verdadeiramente somos.
Mas se ao olharmos no espelho não estivermos satisfeitos com o que encontrarmos, ou se for muito ameaçadora essa visão, não adiantará a mentira, somente a ação; procurando um caminho de retorno para sua verdadeira essência, com os cuidados necessários.
Vera Estrella

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