

Meu filho precisa de psicólogo?
Um relato:
“Tudo parecia seguir seu curso natural; filhos na escola, briguinhas rotineiras, temperamentos diferentes de cada um, algumas dificuldades maiores com um ou com o outro... De uns tempos pra cá ouço reclamações e comentários que me chateiam. A escola às vezes chama, não percebo nada tão anormal... Cada um tem a sua característica, talvez tenha puxado ao pai, ou à avó, algumas coisas são iguais a mim...
No fundo eu achava um pouco estranho, pensava, conversava, tentava resolver. Fiz de tudo; falei com o pediatra, com amigas... Acreditei que quando crescesse melhorava...
Sempre achei que psicólogo era coisa de maluco e que para ficar ouvindo conselho eu podia procurar uma amiga ou um padre, que não pagava.
Até que um dia meu coração, muito apertado, cedeu aos apelos das circunstâncias. Eu não iria pôr meu filho num psicólogo. Sei lá quem seria esse estranho que ficaria colocando coisas na cabeça do meu filho! Mas tinha uma entrevista gratuita e quis ir por desencargo de consciência.”
Assim chegam ao consultório muitas mães aflitas, angustiadas, misturadas com a desconfiança e a secreta esperança de ajuda.
Vejo seus olhos piscando apreensivos parecendo que falam através de suas próprias crianças interiores inseguras e confusas. Dessa forma, algumas se apresentam mais tímidas, sérias, outras risonhas ou agitadas, ainda sem conseguir tocar no assunto principal... Algumas são arredias, outras meigas, umas falantes, outras reservadas...
Como chegam já expressam uma mensagem importante que vou acolhendo cuidadosamente... Naquele instante, a maior de suas virtudes se manifesta por estar exatamente ali, ultrapassando os limites, superando suas impossibilidades e podendo dedicar-se a uma imensa e valorosa “horinha” de conversa, para o primeiro passo em busca da saúde emocional de seu filho.
Sem dúvida a escolha do profissional é bem delicada e precisa ser criteriosa. Perguntar a amigos de confiança, aos profissionais da escola, a bons médicos, ouvir depoimentos, procurar indicações seguras, conhecer mais de um psicólogo, são possibilidades. Esclarecer suas dúvidas e ouvir sobre a forma dele trabalhar também é um caminho. Mas lembre-se sempre de ouvir seu coração; estar em contato com sua intuição e sabedoria materna... e até conversar com o profissional sobre sua própria sensação diante dele...
Quando se percebe de fato que um filho talvez precise de ajuda fora do lar é um momento de desequilíbrio interno. Questiona-se todo o dia, todo o tempo: “O que eu fiz ou deixei de fazer? Quem é responsável por isso? Será que estou exagerando? Será que é só uma fase? Ou uma característica adquirida?” Quantas vezes é preciso enfrentar um grande preconceito familiar... pessoas queridas que são radicalmente “contra” psicólogo...
E o investimento financeiro?! Na verdade deve ser visto realmente como investimento, pois cuidando agora, favorecendo o suporte emocional que a criança tanto necessita num momento de conflito, possivelmente estará destravando todo um futuro de fluidez dos afetos, da sociabilidade, da cognição, do poder de estar no mundo, ser alguém inteiro em suas potencialidades e feliz.
As mães chegam assim, com todas as suas questões que são profundas e têm seus motivos. Às vezes chegam os pais, ou pode ser a avó que, preocupada, inicia o contato... Quantas vezes outros parentes é que motivam a primeira consulta... O mais importante é que alguém está podendo ver essa criança de uma forma mais atenta ou neutra e sempre é bom que se deixe ecoar essas vozes que dizem algo pois não é raro que somente para esse adulto a criança conseguiu fazer um pedido de ajuda.
Alguns pequeninos conseguem até pedir à família claramente para ir no “médico” porque sentem dores – e apontam para o peito, barriga, cabeça ou garganta – como fossem sinais de angústia. Uns maiores pedem uma psicóloga; “aquela tia que conversa com a gente” – quando têm a chance de conhecer uma. Assim costuma ser mais fácil identificar, porém o mais comum é o "grito" através de um sintoma que pode ser físico, emocional ou comportamental.
E eu diria para as mães que me procuram: “Ainda bem que ele teve a força de se expressar, apesar de ser um sintoma e desse "grito" sair tão agudo desequilibrando todo o ambiente. Seja qual for a forma é o SEU pedido de socorro, mesmo inconsciente. Através disso, agora vamos começar a olhar com mais cuidado e acompanhar passo a passo tudo e todos que participam do momento.
Cuidar das emoções é tão importante quanto de nosso organismo, porém o corpo geralmente “fala alto” e um bom remédio alivia a dor. E os sentimentos? Quantas crianças vejo chegarem a idades mais maduras, até na adolescência sem saber dizer o que sentem... E adultos também...
Como ensinar crianças pequenas a expressarem os sentimentos e pensamentos se todos vivem correndo tanto e mal sobra tempo para trocarem um olhar?
Quantas mães são preparadas para saberem a melhor forma de acolher uma criança em suas manifestações de medo, raiva, angústia, dúvida, tristeza, sem ficarem dando explicações para salvá-la imediatamente daquilo, como fosse proibido sentir? Como são sutis as etapas entre apenas acolher ou orientar, permitir a expressão ou dar limites... Onde está o manual para saber como agir?
Enfim, ninguém é treinado para lidar com o sentimento. Sentir parece ser tão natural (e é!) que ninguém fala muito sobre isso, vive-se apenas. Acontece que alguns vivem mais facilmente diante de um fato enquanto outros não conseguem ter o mesmo suporte.
Cada pessoa é um ser que, dentro de suas necessidades individuais, precisa ser olhado e cuidado separadamente para sentir-se alguém inteiro, capaz então de interagir com o mundo. Nem sempre isso se consegue sozinho.
E quando aquela mãe chegou ao consultório e disse que seu filho sempre foi daquele jeito porque é igual ao pai e por isso a família se acostumou, eu lhe disse: “E precisa ser assim para sempre se NELE está causando sofrimento? Parece que ele mesmo está nos dizendo que não... Por que não proporcionar um existência mais feliz se existem recursos para isso?
Vera Estrella

Entre em contato pelo WhatsApp
e agende a sua sessão.
Vera Estrella
21 98891-8805