

Tolerância à frustração
A dificuldade de tolerar frustrações está presente em maior ou menor nível em quase todas as pessoas. E pode ser percebida desde as “birras” infantis até a ingestão de calmantes e similares, usados indiscriminadamente para diminuir a sensibilidade sobre o que acontece ao redor.
Proponho aqui uma reflexão no sentido de olharmos melhor para nós mesmos enquanto adultos, com os exemplos diários tão captados por nossas crianças e também avaliarmos como nossos filhos estão assimilando os “nãos” vindos de casa ou da sociedade em geral.
Os pais que chegam nervosos do trabalho e precisam beber uma cerveja ou qualquer outra coisa para “esfriar a cabeça” ou aqueles que descompensam o ambiente doméstico com seus gritos e agressões, quando são contrariados, estão sendo minuciosamente observados por seus filhos – em qualquer idade – e provavelmente serão copiados dessa forma ou até muito pior, dependendo da carga afetiva que estiverem absorvendo.
Existem famílias que fazem de tudo para minimizar as frustrações de seus filhos comprando rapidamente o brinquedo que o coleguinha tem e ele não, ou até cobrindo todos os desejos imaginários da criança, quando talvez o que ela mais precisasse era ficar tolerando a sua suposta necessidade por um tempo maior.
Também há o grave problema da repressão dos atos junto com a repressão dos sentimentos. Não poder jogar bola naquele dia não significa não poder sentir tristeza e até raiva. Aliás, a repetida frase “não sinta raiva pois é feio” é tão falsa que só gera mais raiva. Todos sentem raiva. Precisam é de orientação sobre como acolher seu sentimento e se expressar, para não devastarem lares no futuro, outras pessoas e as suas próprias vidas.
Quando uma ordem é dada deve ser complementada pela devida explicação e ter espaço para o sentimento. Com o tempo a criança entende que mesmo ficando muito zangada, aquilo não pode ser feito e falar sobre seu sentimento ajuda a conscientizar-se sobre o que se passa dentro dela, podendo conviver e controlar sua frustração. Passa a perceber que suporta, sem precisar fugir do incômodo. Alguns exercícios simples de respiração podem ser bons auxiliares nessa hora, mas em geral a criança não saberá desenvolver isso sozinha.
Cada família tem uma dinâmica própria e deve ter esse assunto cuidadosamente pensado e conversado entre si. Antes de fazer parte da educação de filhos é uma questão de auto avaliação.
É bom lembrar que a busca pelo aperfeiçoamento pessoal, seja sozinho ou com a ajuda de alguém, influencia positivamente a nossa existência e se irradia a todos que nos cercam; o mundo melhor que queremos passa antes pelo que fazemos conosco e com nossas crianças.
Vera Estrella

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